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Carla Esteves, diretora executiva de Unimark e Rede Aqui é Fresco: “A ida às grandes superfícies, para a compra do mês, já não faz parte da rotina das famílias portuguesas”

Carla Esteves, diretora executiva de Unimark e Rede Aqui é Fresco: “A ida às grandes superfícies, para a compra do mês, já não faz parte da rotina das famílias portuguesas”

Alimarket Alimentação, coincidindo com o lançamento da sua base de dados sobre o sector da Distribuição Alimentar em Portugal, entrevista Carla Esteves, diretora-executiva da central de compras Unimark e da rede de lojas Aqui é Fresco, na qual comenta os projetos de expansão da cadeia e a sua opinião sobre a chegada da Mercadona ao mercado português. Explica também o que acredita serem os desafios que o sector terá de enfrentar após a pandemia, as mudanças que irá gerar nos hábitos de consumo e as medidas tomadas durante a crise sanitária.

Alimarket: O que significa para o vosso grupo a entrada do Mercadona em Portugal?

Carla Esteves: No início, assumo que a entrada da Mercadona, em Portugal, gerou algum desconforto. No entanto, o conceito é tão distinto do comércio de proximidade que o impacto não se fez sentir. Pelo menos, no presente momento e se alguma vez se vier a sentir.

As alterações dos hábitos de consumo favorecem o comércio de proximidade. A ida mensal às grandes superfícies, para a compra do mês, já não faz parte da rotina das famílias portuguesas. Estas preferem cada vez mais o comércio tradicional, para benefício das lojas Aqui é Fresco, onde podem encontrar, igualmente, os melhores preços, o que nos torna bastante competitivos face a outros formatos e realidades. Por outro lado, o envelhecimento da população e o crescimento do fenómeno do turismo local também contribuem para uma maior procura do comércio tradicional. Podemos, pois, afirmar com segurança que a abertura de várias lojas do grupo Mercadona não teve grande impacto na nossa atividade.

A: Qual é a vossa previsão de expansão para 2020 (número de lojas e zonas)?

C.E.: Este foi um ano muito atípico. Ninguém previa semelhante cenário. Qualquer plano que possa ter sido feito teve, inevitavelmente, de ser adiado. Temos, à data, aproximadamente 800 lojas. É tempo de consolidação. De acompanhar e apoiar as que temos, no sentido de garantir uma melhoria contínua, tanto ao nível de imagem, como do serviço ao cliente.

A: Já se contemplou a internacionalização, por exemplo, com aberturas em Espanha?

C.E.: São mercados muito distintos. Queremos continuar a fazer o que sabemos e melhor fazemos, em Portugal e para os portugueses. Para já, não é esse o caminho.

A: Quais são os desafios que o sector da distribuição alimentar terá de enfrentar nos próximos anos em Portugal?

C.E.: Ativar fortemente o online, ajustar sortidos existentes e estar atento às mudanças da era pós- Covid-19, pois estas mudanças serão para ficar.

A: Que ações estão a desenvolver para responder à situação provocada pelo Covid-19?

C.E.: Com esta situação de pandemia, a rede Aqui é Fresco reorganizou-se e reinventou-se. Vivemos uma realidade jamais imaginada por cada um de nós, mas as adversidades despertam capacidades que, em circunstâncias normais, teriam ficado adormecidas. Temos também realizado todos os esforços para conseguir dar resposta ao aumento de procura, que registámos tantos nas nossas lojas da Rede Aqui é Fresco, como nos cash’s dos nossos associados.

Nestes tempos difíceis, sem prazo para acabar, com as compras online em ascensão, temos perfeita consciência de que os recursos humanos são, e serão sempre, a nossa mais valia e uma parte fundamental da nossa cadeia de logística. Por mais que se automatizem os processos, o comércio de proximidade não irá nunca abdicar disso. Assim, como acreditamos que os portugueses não irão abdicar do comércio de proximidade.

Presentemente, seja nas lojas ou nos cash’s, não existe qualquer plano para reforçar equipas. Mantemos as existentes, as quais trabalham, em alguns casos, por turnos, noutros ampliados para assegurar o normal funcionamento da empresa, não raras vezes com grande esforço individual. Têm sido duplicadas as linhas de pedidos, feita uma reposição constante, ampliados horários e intensificadas as ações destinadas à mercadoria de primeira necessidade. As equipas comerciais estão a reforçar o stock, nomeadamente de produtos essenciais e de primeira necessidade.

A: Como consideram que vai mudar a procura nos próximos meses?

C.E.: Vão existir mudanças nos hábitos de consumo dos portugueses. A tendência para gastarem mais em bens essenciais, como a alimentação, irá certamente manter-se. O confinamento terminou, mas a situação atual não permite, ainda, o regresso à chamada normalidade. Enquanto não houver uma vacina, iremos continuar todos bastante mais cautelosos, mantendo o distanciamento necessário para que a situação não se reverta e retrocedamos e vamos andar mais protegidos.

Acreditamos também que a pandemia fez aumentar o nosso foco na sustentabilidade. A consciencialização para a escassez dos recursos naturais tornou-nos mais cautelosos e tudo nos leva a acreditar que, terminada esta fase, a maioria de nós continue a preferir marcas que mostrem compromisso com a comunidade e com um futuro mais sustentável. Seja na formulação do produto em si, ou na forma como se apresenta ao consumidor, com menor presença de plástico e com maior preocupação em incorporar elementos recicláveis.

Por outro lado, a preocupação com a segurança, na era pós-Covid-19, vai, certamente, ter grandes reflexos na nossa área de negócio. Os consumidores vão estar mais atentos a questões como limpeza, saúde e segurança. Irão também, certamente, preferir produtos locais aos que lhes chegam via importações, assim como exigir informação detalhada sobre os produtos, nomeadamente a sua origem.



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